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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Colunista Elza de MELLO

Aquém dos Trilhos Vidas em Crônicas (34)

A Semana iniciou com o Grito da Consciência Negra, trabalhado em todas as instâncias da educação e divulgado nos meios de comunicação. E como trabalhadora de uma unidade escolar, folheio o nosso projeto estadual e revejo materiais que o Estado colocou para ancorar o projeto. Surpresa e emocionada vejo referências bibliográficas da edição – Içara Nossa Terra Nossa Gente.
Surpresa por saber que meu trabalho está sendo reconhecido em lugares de relevância, emocionada por poder ver minha gente afro-descendente atuante na cidadania. É sempre instigante poder refazer a memória daqueles que construíram nosso chão e plantaram as sementes de novas gerações. No meu fazer silencioso soube que dei sentido de vida aos que nos antecederam na cultura que, hoje, temos implantada em nossa base familiar.
Pois bem, faço minha as palavras de Assunção Aguiar, coordenadora do grupo Coisa de Nego, do Piauí: “quando você passa saber de onde veio, passa a valorizar a cultura e ter orgulho de sua história”. E saber as nossas origens é, de fato, importante para a conscientização do valor de nossos ancestrais. Assunção firma que foi a constituição de 1988, a primeira que verdadeiramente reconheceu a levou em consideração os direitos civis da população negra brasileira. Assunção ainda reforça na fala dizendo que se na população negra está a maioria dos desempregados, dos subempregos, dos encarcerados, e das vítimas de violência policial, precisa também ser a maioria a se fazer ouvir na hora de votar. Para falar de preconceito, a pedra intransponível que muitas pessoas apontam, Milton Gonçalves diz que”quem quer discriminar inventa qualquer motivo para justificar seu ato. Eu mesmo já fui desrespeitado por brancos e negros. Mas exijo respeito”!. Finalizando ele fala: “olho pouco para trás. Quero saber o que está por vir. O que ainda tenho para construir ou destruir. Não tenho medo de uma boa briga... é com esse espírito que sigo na estrada do futuro”
Pois é, falamos até, agora, de pessoas de projeção social. Milton Gonçalves é um artista renomado, foi político, pai e cidadão sem medo de ser feliz. Poderíamos dizer que essas pessoas que vencem são minoria. É verdade. Mas em de todas as origens étnicas os vencedores são minorias. Parece que as pessoas esquecem o que fizeram no contexto social e só buscam a realização do impossível.
Busco lembranças saudosas nos rostos de cor em nossas localidades e vislumbro pessoas inesquecíveis entre nós: a professora Joana da Rosa dos Santos, Ana Rosa de Jesus, José da Rosa que se dedicaram ao magistério e educaram duas gerações quando Içara era ainda um Distrito de Criciúma; Dandão, Pataca, Chumbo, Pracinha, Dó, Santo Martelo, Alamiro, Martinho, Genésio Crispim, Lorinho que deram suor na extração do ouro negro em Mineração, em Içara. Deles veio, também, o engajamento na construção da capela Santa Bárbara, da sede Barão do Rio Branco e da Sami. Não podemos esquecer os bailes da Rainha Negra naquela localidade. Hoje, abraçamos ao seu Mirzinho Leacina, para abraçarmos toda a população afroiçarense de nossas localidades.
Mas, como mulher içarense, quero abraçar em memória dona Leacina, Doca, Laura Laranjeira, Bernarda, Malvina, Eva, Diunísia, Maria Bernardes, Professoras Joana e Ana, Ana Luiza esposa do saudoso vereador Valdinho; entre outras mães, donas de casa, escolhedeiras de carvão, lavadeiras de roupas, agricultoras, domésticas que enriqueceram a cultura içarense. Parabéns homens e mulheres, seguidoras da cultura de base africana, na semana dedicada a Consciência Negra. Parabéns Ica, pela luta que direcionas no Grupo Chico Rosa. Esta é, com certeza, a luta de todos os içarenses que amam nossa terra e valorizam a sua gente. O teu grupo contém as saudades de uma terra misteriosa, perdida no evento de uma diáspora escravagista, porém, que trouxe a contribuição mais plena na construção de nossa cultura içarense.

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